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Psicologia ABA

Uso de telas e comportamento infantil: o que muda no dia a dia

Por Giovanna Uessler Piza Silva · CRP 06/224019 · 2 min de leitura · Revisado em julho de 2026

Uso de telas: como ele pode influenciar o comportamento infantil?

A dúvida das famílias

"Meu filho está mais nervoso e começou a ter mais comportamentos inadequados. Será que é por causa do celular?" "Meu filho faz um escândalo quando tiro o celular. Isso é normal?"

Para quem é este conteúdo
Criança, Adolescente, TEA, TDAH

Como abordamos na MenthalHelp

Não trabalhamos apenas retirando o celular. O foco é ensinar novas habilidades para que a criança consiga lidar melhor com a frustração, esperar sua vez, aceitar limites e encontrar interesse em outras atividades. Também orientamos os pais sobre como organizar a rotina e o uso das telas de forma saudável, ajudando a reduzir as crises e promovendo um desenvolvimento mais equilibrado.

Sinais de alerta

A criança faz crises intensas sempre que o celular é retirado. Não consegue se interessar por outras brincadeiras ou atividades. Fica muito irritada quando ouve "não" ou precisa esperar. O uso das telas começa a atrapalhar o sono, a alimentação ou a rotina. Os comportamentos estão causando prejuízo na escola ou nas relações familiares.

Mito comum

Mito: "É só tirar o celular que o comportamento melhora." Realidade: apenas retirar o celular nem sempre resolve. A criança também precisa aprender habilidades como esperar, lidar com o "não", controlar as emoções e encontrar outras formas de brincar. Mito: "Toda birra é culpa do celular." Realidade: o uso das telas pode contribuir para algumas dificuldades, mas o comportamento da criança é influenciado por diversos fatores. É importante avaliar cada caso de forma individual.

Perguntas frequentes

1. "Meu filho fica tão quietinho no celular. Qual é o problema nisso?" O problema não é o celular em si. Quando ele se torna a principal forma de manter a criança calma, ela pode ter menos oportunidades de desenvolver habilidades importantes, como brincar, lidar com frustrações, esperar, interagir com outras pessoas e aprender a regular as próprias emoções. O objetivo é que o celular faça parte da rotina de forma equilibrada, e não que seja a única estratégia para acalmar a criança. 2. "Meu filho faz escândalo quando tiro o celular. Isso é normal?" É comum, mas é um sinal de que vale intervir. A tela é uma atividade muito reforçadora, e interrompê-la de repente costuma gerar protesto. Avisos prévios, combinados claros sobre o tempo de uso e a oferta de outra atividade interessante na sequência tornam a transição mais tranquila. Quando as crises são muito intensas ou frequentes, o acompanhamento profissional ajuda a entender e manejar o comportamento. 3. "Existe um tempo de tela recomendado?" Existem orientações gerais — a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda evitar telas antes dos 2 anos e limitar o tempo conforme a idade. Mas, além da quantidade, importa a qualidade: o que a criança assiste, se há supervisão e se as telas não estão substituindo o sono, o brincar e a convivência em família.

O que esperar

A expectativa é que a criança aprenda a lidar melhor com as próprias emoções, tolere melhor a espera e as frustrações, aceite limites com mais facilidade e tenha uma relação mais equilibrada com o uso das telas.

Referências

MADIGAN, S.; BROWNE, D.; RACINE, N.; MORI, C.; TOUGH, S. (2019). Association Between Screen Time and Children's Performance on a Developmental Screening Test. JAMA Pediatrics, 173(3), 244–250. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA (SBP). Manual de Orientação: Saúde de Crianças e Adolescentes na Era Digital.