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Fisioterapia ABA

Meu filho já anda e corre. Ainda precisa de fisioterapia?

Por Taize Cardoso Sampaio · CREFITO-3 436870-F · 5 min de leitura · Revisado em julho de 2026

Meu filho já anda e corre. Ele ainda precisa de fisioterapia?

A dúvida das famílias

"Meu filho já anda, então por que ele precisa de fisioterapia?" "Ele corre, mas cai muito. Isso é normal?" "Meu filho tem dificuldade para brincar com outras crianças, será que é falta de coordenação?" "Ele sabe andar, mas parece desajeitado para correr, pular e subir nos brinquedos."

Para quem é este conteúdo
Criança, Adolescente, TEA, TDAH, Desenvolvimento típico

Como abordamos na MenthalHelp

A fisioterapia acompanha o desenvolvimento da criança observando não apenas quais movimentos ela consegue realizar, mas principalmente como ela utiliza essas habilidades no dia a dia. Durante a avaliação, o fisioterapeuta observa aspectos como equilíbrio, coordenação motora, força muscular, controle do corpo, postura, planejamento dos movimentos e participação nas atividades da infância. A partir dessa avaliação, são propostas atividades terapêuticas direcionadas e, muitas vezes, realizadas de forma lúdica, utilizando brincadeiras, circuitos motores, jogos e desafios adequados à idade e às necessidades da criança. O objetivo não é apenas melhorar um movimento específico, mas ajudar a criança a conquistar mais autonomia e segurança para participar de situações reais, como brincar no parque, acompanhar atividades escolares, correr, saltar, subir escadas, andar de bicicleta e interagir com outras crianças.

Sinais de alerta

Nem sempre uma dificuldade motora aparece como um grande atraso no desenvolvimento. Alguns sinais mais sutis podem indicar a necessidade de uma avaliação fisioterapêutica, como quedas frequentes, insegurança para correr, pular ou subir em brinquedos, dificuldade para acompanhar brincadeiras motoras, evitar atividades que envolvem movimento, além de alterações de equilíbrio, coordenação, planejamento motor ou diferenças importantes entre os lados do corpo. Essas dificuldades também podem impactar a rotina escolar, como permanecer sentado por períodos prolongados, manter uma postura adequada e realizar atividades que exigem maior precisão, como escrever, desenhar e recortar. A praxia global, relacionada à organização dos movimentos amplos do corpo, é uma importante base para o desenvolvimento da motricidade fina, pois o controle postural, o equilíbrio e a estabilidade corporal favorecem maior eficiência nas atividades manuais e acadêmicas. A fisioterapia atua estimulando essas habilidades para promover maior autonomia, participação e funcionalidade na infância.

Mito comum

Um dos maiores mitos é pensar que "se a criança já anda, ela não precisa de fisioterapia". O desenvolvimento motor vai muito além da marcha: equilíbrio, coordenação, controle postural, planejamento dos movimentos e participação nas brincadeiras também são habilidades essenciais para a autonomia da criança. Outro erro comum é acreditar que "é só esperar que com o tempo melhora". Algumas dificuldades podem parecer pequenas, mas interferem na escola, nas brincadeiras e na rotina diária. A fisioterapia não atua apenas em grandes atrasos, mas também na identificação e na estimulação de habilidades que ajudam a criança a participar melhor do mundo ao seu redor. A fisioterapia não ensina apenas movimentos: ela desenvolve capacidades que permitem à criança brincar, aprender, explorar e conquistar mais independência.

Perguntas frequentes

1. Meu filho senta em W. Isso é apenas um jeito de sentar ou pode prejudicar o desenvolvimento? O sentar em W pode ser uma postura comum em algumas crianças, mas, quando ocorre com frequência, pode estar relacionado a dificuldades de controle postural, estabilidade de tronco, força muscular e organização corporal. A avaliação fisioterapêutica ajuda a compreender a causa e a orientar estratégias adequadas para favorecer um melhor alinhamento corporal. 2. Meu filho anda sempre na ponta dos pés. Preciso investigar? A marcha na ponta dos pés pode acontecer ocasionalmente; porém, quando se mantém por longos períodos, pode interferir no equilíbrio, na mobilidade e na forma como a criança explora o ambiente. A fisioterapia avalia aspectos como tônus muscular, mobilidade, controle motor e padrão de marcha para identificar as melhores estratégias de intervenção. 3. Meu filho parece muito molinho ou tem dificuldade para sustentar o corpo. Isso interfere nas atividades? Alterações no tônus muscular podem influenciar o controle corporal, a postura, o equilíbrio e a coordenação dos movimentos. A fisioterapia atua favorecendo maior organização corporal, estabilidade e participação nas atividades da rotina. 4. Meu filho passa muito tempo parado e não gosta de brincar de correr, pega-pega ou esconde-esconde. Isso pode afetar o desenvolvimento? As brincadeiras com movimento são fundamentais para o desenvolvimento infantil. A pouca participação em atividades físicas pode limitar experiências importantes para desenvolver corrida, saltos, equilíbrio, coordenação e interação com outras crianças. A fisioterapia estimula essas habilidades de forma lúdica e funcional. 5. A postura da criança pode influenciar a atenção na escola? Sim. Para permanecer sentado, escrever e participar das atividades escolares, a criança precisa de controle postural, estabilidade corporal e organização dos movimentos. Dificuldades nesses aspectos podem aumentar o esforço durante as tarefas e interferir na participação e na concentração. 6. Meu filho tem dificuldade para brincar com outras crianças. A fisioterapia pode ajudar? Sim. Muitas brincadeiras sociais envolvem habilidades motoras, como correr, perseguir, desviar de obstáculos, pular e controlar o corpo no espaço. O desenvolvimento dessas capacidades amplia as oportunidades de participação, interação e inclusão nas atividades da infância.

O que esperar

A fisioterapia tem como objetivo favorecer o desenvolvimento global da criança, respeitando suas características individuais, seu ritmo de aprendizagem e suas necessidades funcionais. A intervenção não busca acelerar etapas do desenvolvimento, mas proporcionar estímulos adequados para que a criança desenvolva suas habilidades motoras com maior segurança, eficiência e autonomia. A prática clínica associada às evidências científicas demonstra que intervenções fisioterapêuticas individualizadas podem contribuir para a evolução de aspectos como equilíbrio, coordenação motora, controle postural, força muscular, planejamento dos movimentos e participação nas atividades da rotina. Esses ganhos refletem diretamente na capacidade da criança de explorar o ambiente, participar das brincadeiras, acompanhar atividades escolares e interagir com outras crianças. A evolução ocorre de maneira progressiva e está relacionada a diversos fatores, como as características individuais da criança, a frequência e a continuidade das intervenções, a participação da família e as oportunidades oferecidas no cotidiano para a prática das habilidades desenvolvidas durante o acompanhamento. Por esse motivo, a reavaliação periódica é fundamental para acompanhar os avanços e ajustar os objetivos terapêuticos conforme as necessidades apresentadas. Dessa forma, a fisioterapia não tem como foco apenas a aquisição ou o aprimoramento de movimentos isolados, mas o desenvolvimento de habilidades que permitam à criança participar de forma mais ativa e independente nos diferentes contextos da infância. Ao promover maior funcionalidade, autonomia e participação, a fisioterapia contribui para que cada criança desenvolva seu potencial e tenha melhores oportunidades de vivenciar as experiências próprias dessa fase da vida. SUGESTÃO DE OUTRO TEMA A importância do brincar no desenvolvimento motor da criança.

Referências

WU, Y.; DING, L.; ZHANG, Q.; DONG, Y.; TAO, C.; LI, Z.; LI, Z.; LU, L. (2024). The effect of physical exercise therapy on autism spectrum disorder: a systematic review and meta-analysis. Psychiatry Research, 339, 116074. https://doi.org/10.1016/j.psychres.2024.116074