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Psicologia ABA

Limites de tela no TEA sem transformar a retirada em crise

Por Isabella Vitoria Doriguetto Urbano de Souza · CRP 06/198074 · 2 min de leitura · Revisado em julho de 2026

Como estabelecer limites no uso de telas em crianças/adolescentes com TEA sem aumentar as crises? O uso de telas faz parte da rotina de muitas crianças/adolescentes e pode trazer benefícios quando utilizado de forma adequada. No entanto, quando o tempo de tela é excessivo ou não há limites claros, podem surgir dificuldades para interromper a atividade, aumento das crises, prejuízos na interação social, no brincar e na participação em outras atividades importantes para o desenvolvimento. O objetivo não é proibir o uso de telas, mas ensinar a utilizá-las de forma equilibrada e funcional.

A dúvida das famílias

"Meu filho só quer ficar no celular ou tablet. Como posso diminuir o tempo de tela sem provocar uma crise?"

Para quem é este conteúdo
Criança, Adolescente, TEA

Como abordamos na MenthalHelp

O primeiro passo é compreender como as telas fazem parte da rotina da criança/adolescente e quais fatores dificultam o encerramento dessa atividade. A partir dessa análise/avaliação, são estabelecidos combinados claros, rotinas previsíveis e recursos visuais que ajudam a antecipar o início e o fim do tempo de tela. Além disso, a criança é incentivada a desenvolver interesse por outras atividades compatíveis com suas preferências, como brincadeiras, jogos, atividades sensoriais, leitura, esportes ou momentos de interação com a família. O objetivo não é apenas reduzir o tempo de tela, mas ampliar o repertório de atividades prazerosas e funcionais. A família também recebe orientações sobre como estabelecer limites de forma acolhedora e previsível, favorecendo uma redução gradual do tempo de tela e diminuindo a necessidade de recorrer às crises diante dessas mudanças.

Sinais de alerta

A criança apresenta crises intensas sempre que precisa interromper o uso das telas. O uso de telas interfere no sono, na alimentação ou nas atividades escolares. A criança perde o interesse por brincadeiras, interação social ou outras atividades. O tempo de tela dificulta a participação nas atividades da rotina. A família já tentou estabelecer limites, mas não consegue sem gerar conflitos frequentes.

Mito comum

"Meu filho só fica calmo quando está no celular, então é melhor deixar"; "Se eu tirar as telas de uma vez, ele aprende". Na realidade, o objetivo não é retirar as telas completamente nem utilizá-las como única forma de acalmar a criança. O mais importante é ensinar um uso equilibrado, respeitando as necessidades individuais e ampliando gradualmente o interesse por outras atividades.

Perguntas frequentes

1. Crianças com TEA podem usar telas? Sim. O importante é que o uso seja adequado à idade, tenha limites claros e não substitua oportunidades de interação social, brincadeiras e aprendizagem. 2. Tirar o celular de uma vez é a melhor estratégia? Nem sempre. Em muitos casos, mudanças graduais, rotina previsível e preparação para o encerramento da atividade tornam esse processo mais tranquilo. 3. Como posso ajudar meu filho a aceitar o fim do tempo de tela? Utilizar combinados, recursos visuais e avisos prévios e oferecer outras atividades de interesse pode facilitar a transição. O acompanhamento profissional pode ajudar quando as dificuldades persistem.

O que esperar

Cada criança/adolescente responde de maneira diferente às mudanças na rotina. Quando os limites são introduzidos de forma gradual, com estratégias individualizadas e participação da família, é comum observar redução das crises relacionadas ao encerramento do tempo de tela, maior aceitação dos combinados e aumento do interesse por outras atividades. Os primeiros avanços podem aparecer nas primeiras semanas, enquanto mudanças mais consistentes costumam ocorrer ao longo de alguns meses, dependendo das características e necessidades da criança/adolescente. SUGESTÃO DE OUTRO TEMA Como ensinar crianças com TEA a lidar melhor com mudanças de rotina e situações inesperadas?

Referências

SELLA, A. C.; RIBEIRO, D. M. (Orgs.). (2024). Análise do Comportamento Aplicada ao Transtorno do Espectro Autista (2ª ed.). Appris.