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Psicologia ABA

Habilidades sociais no TEA: como a terapia (e a família) ajudam

Por Bruna Carneiro Queiroz · Trainee — revisora técnica · 2 min de leitura · Revisado em julho de 2026

Muitas famílias não sabem que os maiores avanços do aprendiz acontecem quando as estratégias da terapia são aplicadas também em casa. A participação da família faz toda a diferença no desenvolvimento das habilidades.

A dúvida das famílias

Meu filho(a) tem dificuldade para fazer amizades. Como a terapia pode ajudar no desenvolvimento das habilidades sociais? Meu filho(a) tem dificuldade para participar de conversas em grupo. Isso pode ser desenvolvido na terapia? Meu filho(a) não sabe como iniciar uma conversa com outras pessoas. Como posso ajudá-lo(a)?

Para quem é este conteúdo
Adolescente, Criança, TEA

Como abordamos na MenthalHelp

Muitas vezes, a dificuldade para fazer amigos não acontece porque os jovens não querem se aproximar dos outros, mas porque ainda estão desenvolvendo algumas habilidades necessárias para isso. Na terapia, ensinamos essas habilidades de forma gradual, como cumprimentar, iniciar uma conversa, fazer perguntas, esperar a vez de falar e perceber quando a outra pessoa está interessada na interação. Tudo isso é praticado em atividades e situações do dia a dia, para que essas habilidades façam sentido e possam ser utilizadas também na escola, em casa e em outros ambientes. O objetivo é que os jovens se sintam mais seguros para interagir, construir vínculos e desenvolver relações de forma cada vez mais espontânea.

Sinais de alerta

Dificuldades na comunicação, como pouca iniciativa para interagir, dificuldade para expressar necessidades, sentimentos ou manter diálogos. Comportamentos repetitivos, interesses muito restritos ou dificuldade diante de mudanças na rotina. Dificuldade para lidar com frustrações, controlar emoções ou adaptar-se a diferentes situações do dia a dia. Prejuízos na autonomia, organização da rotina ou realização de atividades esperadas para sua faixa etária.

Mito comum

Muitos acham que a dificuldade para interagir é apenas uma característica da personalidade e que, com o tempo, o jovem vai aprender sozinho. Na verdade, muitas habilidades sociais precisam ser ensinadas, praticadas e estimuladas para se desenvolverem de forma funcional. Outro mito é o de que o autismo precisa ser "corrigido": o objetivo do acompanhamento não é mudar quem a pessoa é, mas ampliar habilidades, favorecer autonomia e melhorar a qualidade de vida.

Perguntas frequentes

Por que meu filho(a) sabe fazer algo na terapia, mas não faz em outros lugares? Algumas habilidades precisam ser praticadas em diferentes contextos para que sejam generalizadas. O objetivo da terapia é ajudar para que esses aprendizados façam parte da rotina e sejam utilizados de forma mais espontânea. Todo comportamento difícil faz parte do autismo? Nem sempre. Todo comportamento possui uma função e precisa ser compreendido dentro do contexto. A avaliação busca entender o que esse comportamento comunica e quais estratégias podem favorecer novas formas de resposta. Meu filho(a) tem TEA, ele(a) sempre terá dificuldade para se comunicar e se relacionar? Não necessariamente. O desenvolvimento acontece de forma individual e, com estímulos adequados, é possível ampliar habilidades de comunicação, interação social, autonomia e participação nos diferentes ambientes.

O que esperar

Cada aprendiz possui seu próprio ritmo de desenvolvimento, por isso não é possível prever exatamente quando uma habilidade será adquirida. O que observamos na prática clínica é que, com acompanhamento adequado e participação da família, é possível favorecer avanços na comunicação, interação social, autonomia, regulação emocional e adaptação às demandas do dia a dia. Os resultados acontecem de forma gradual, construídos através de pequenos progressos, e o objetivo não é transformar o aprendiz em outra pessoa, mas ampliar suas possibilidades e proporcionar mais qualidade de vida e autonomia.

Referências

Bosa, C. A. (2006). Autismo: intervenções psicoeducacionais. Revista Brasileira de Psiquiatria. Shaw, G. S. L., Leandro, L., & Rocha-Oliveira, R. (2021). Discutindo mitos e verdades sobre o autismo. Revista de Estudios. Bolsoni-Silva, A. T., Perallis, C., & Nunes, P. (2018). Problemas de comportamento, competência social e desempenho acadêmico. Psicologia: Teoria e Pesquisa. Silva, C. V. S., & Andreto, L. M. (2025). Comportamentos agressivos de crianças com autismo. Faculdade Pernambucana de Saúde.