Baixa tolerância à frustração no TEA: como ajudar a criança a lidar com o "não" e com as mudanças? Muitas famílias acreditam que a criança entra em crise porque é "teimosa" ou "malcriada", quando, na verdade, crianças com TEA podem apresentar maior dificuldade para lidar com frustrações, mudanças de rotina e a espera. A boa notícia é que essas habilidades podem ser ensinadas por meio de intervenções baseadas em evidências e com a participação ativa da família.
Meu filho entra em crise toda vez que escuta um "não". O que eu faço?
Como abordamos na MenthalHelp
O primeiro passo é compreender em quais situações a criança costuma se frustrar e qual a função desse comportamento. A partir dessa análise/avaliação, ensinamos habilidades que ajudam a lidar melhor com essas situações, como identificar emoções, esperar por pequenos períodos, pedir ajuda, pedir uma pausa ou comunicar suas necessidades de forma mais adequada. Também utilizamos recursos visuais, combinados, treino de tolerância à espera, estratégias de regulação emocional e habilidades de enfrentamento, sempre de forma individualizada. Além disso, a família recebe orientações sobre como agir durante as crises e como incentivar comportamentos que deseja ver com mais frequência. Assim, a criança/adolescente encontra as mesmas estratégias na terapia e em casa, facilitando a aprendizagem e a generalização de habilidades e favorecendo o desenvolvimento da autonomia, da flexibilidade e do autocontrole.
Sinais de alerta
Crises muito intensas diante de pequenas frustrações. Agressividade com outras pessoas ou contra si mesmo. Dificuldade para participar na escola ou em atividades do dia a dia devido a crises. Quando os pais não conseguem manejar a situação sozinhos. Quando os pais sentem que as estratégias utilizadas em casa já não estão funcionando.
"Ele faz isso porque é malcriado"; "Se eu evitar dizer 'não', ele não vai sofrer". Na verdade, aprender a lidar com pequenas frustrações faz parte do desenvolvimento. O objetivo da intervenção não é evitar ou eliminar toda frustração, mas ensinar estratégias para enfrentá-la de forma mais adaptativa e funcional.
Perguntas frequentes
1. Meu filho vai deixar de ter crises? O objetivo não é eliminar completamente as crises, mas reduzir sua frequência e intensidade, ensinando habilidades para que a criança consiga comunicar suas necessidades e lidar melhor com as frustrações. 2. Ignorar a crise resolve? Nem sempre. Antes de definir qualquer estratégia, é importante compreender por que aquele comportamento acontece. A intervenção deve ensinar alternativas mais adequadas para que a criança consiga alcançar suas necessidades sem recorrer à crise. 3. Como posso ajudar meu filho em casa? Manter uma rotina previsível, estabelecer combinados claros, reforçar comportamentos adequados e agir de forma consistente são atitudes que ajudam muito. A participação da família é fundamental para que as habilidades aprendidas na terapia sejam generalizadas para o dia a dia.
O que esperar
Cada criança/adolescente apresenta um ritmo de desenvolvimento diferente. Quando a intervenção é individualizada e a família participa ativamente do processo, é comum observar redução gradual da frequência e da intensidade das crises, melhora na comunicação e maior capacidade de esperar, aceitar pequenas mudanças e lidar melhor com as frustrações. Algumas famílias percebem avanços nas primeiras semanas, mas mudanças mais consistentes costumam ocorrer ao longo de alguns meses de intervenção contínua, dependendo das necessidades de cada criança/adolescente. SUGESTÃO DE OUTRO TEMA Como estabelecer limites no uso de telas em crianças/adolescentes com TEA sem aumentar as crises?
Referências
SELLA, A. C.; RIBEIRO, D. M. (Orgs.). (2024). Análise do Comportamento Aplicada ao Transtorno do Espectro Autista (2ª ed.). Appris.
