A rigidez no TEA relacionada à rotina da criança.
Como lidar com a rigidez da criança relacionada à mudança de rotina?
Como abordamos na MenthalHelp
Em relação à rigidez ligada à mudança de rotina, podemos trabalhar de diversas formas. Inicialmente, explicamos de forma verbal para a criança como será o dia dela, o que irá acontecer, dando previsibilidade inclusive para as atividades que podem mudar durante o dia (por exemplo: atrasar para chegar a algum lugar por causa do trânsito). Caso a criança ainda apresente dificuldades, podemos utilizar uma rotina visual da qual ela participa, tanto na montagem quanto na colagem das atividades referentes ao dia dela, reforçando o comportamento sempre que ela demonstrar flexibilidade em relação à atividade que será realizada.
Sinais de alerta
Crises intensas diante de mudanças pequenas na rotina (outro caminho para a escola, troca de horário, visita inesperada). Insistência em rituais que limitam a rotina da família — a criança só aceita fazer as coisas de um jeito ou numa ordem específica. Sofrimento significativo diante de imprevistos, com dificuldade de se recuperar depois. Recusa persistente em participar de atividades novas ou em lugares diferentes.
"É birra" ou "é manha, ele faz isso para me testar". Na verdade, a rigidez faz parte do TEA: a rotina previsível dá segurança à criança, e a mudança pode gerar sofrimento real, não intencional. Outro equívoco é o oposto — nunca mudar nada para evitar crises. Proteger a criança de toda mudança impede que ela desenvolva flexibilidade; o caminho é preparar as mudanças com previsibilidade e apoio, não eliminá-las.
Perguntas frequentes
1. Devo evitar qualquer mudança na rotina do meu filho? Não. O objetivo não é congelar a rotina, mas ensinar a criança a lidar com mudanças de forma gradual, com antecipação, explicação e apoio. Pequenas mudanças planejadas, com preparo, ajudam a construir flexibilidade. 2. A rotina visual funciona para toda criança? Cada criança responde de um jeito. Para algumas, a explicação verbal antecipada é suficiente; outras se beneficiam muito da rotina visual, principalmente quando participam da montagem. A estratégia é escolhida e ajustada de forma individualizada. 3. Como preparar meu filho para um imprevisto, como um atraso ou um compromisso que mudou? Avise assim que possível, explique de forma simples o que vai acontecer no lugar do combinado e, quando der, mostre na rotina visual o que mudou. Reforce positivamente sempre que ele conseguir se adaptar, mesmo que parcialmente.
O que esperar
Com a intervenção individualizada e a participação da família, é comum observar, de forma gradual, maior tolerância a mudanças na rotina, redução da intensidade e da frequência das crises diante de imprevistos e mais disposição para experimentar atividades e contextos novos. Os primeiros avanços podem aparecer em semanas, mas a flexibilidade se constrói ao longo de meses de consistência entre terapia, casa e escola — sempre respeitando o ritmo de cada criança.
Referências
Artigo em Behavioral Interventions (Wiley). DOI: 10.1002/bin.70028 — https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/bin.70028 SELLA, A. C.; RIBEIRO, D. M. (Orgs.). (2024). Análise do Comportamento Aplicada ao Transtorno do Espectro Autista (2ª ed.). Appris.
